Entendendo o gerenciamento de mudanças

Written by  //  April 14, 2009  //  Gestão  //  11 Comments

entendendo-o-gerenciamento-de-mudancas
Pesquisas apontam que pelo menos metade dos fracassos em projetos de TI vem da falta de gerenciamento de escopo.

Simplificando, o escopo do projeto, nada mais é do que o que foi combinado fazer.

Vamos à uma analogia: Preciso trocar os pneus do meu carro. Faço um levantamento dos produtos e serviços necessários e verifico que precisarei de:
- Quatro pneus [Produto]
- Troca dos mesmos [Serviço]
- Alinhamento [Serviço]
- Balanceamento [Serviço]

Bom, este é o escopo deste meu projeto “Trocar Pneu” e devo fazer uma gestão efetiva deste escopo, para não gastar mais que o previsto.

Vou na loja, faço o pedido e aguardo. Após meia hora o vendedor (que obviamente quer vender) me fala que seria bom eu trocar os amortecedores também porque estão ruins. Vamos parar um pouco neste ponto.

Trocar os amortecedores tem custo e o vendedor vai cobrar com certeza. Esta troca esta fora do meu escopo inicial e devo decidir se mudarei o escopo ou não.

Reparem que quem decide sou eu, só que esta decisão traz impacto (aumento do custo). Será que vai adiantar alguma coisa se eu chegar ao vendedor e “espernear” falando que isto estava “sub-entendido” na troca e por isso não vou pagar? Com certeza não. Eu ficaria muito feliz se ele fizesse isto de graça, mas isto não vai acontecer pois tem custo pra ele.

Voltando, decido por não trocar pois esta fora do meu escopo inicial e isto ultrapassará o valor que eu tinha previsto.

Se coloquem agora no lugar do vendedor (que é o nosso!) e simulem a mesma situação. Vocês dariam os amortecedores ao cliente?

É isto que não se pode fazer (dar algo não combinado), temos sim é que cumprir o escopo previsto em nossos projetos e sempre posicionar o cliente de possíveis necessidades de mudanças.
Mas lembrando, o escopo não muda, a não ser que alguém permita.
O Gerente do projeto deve sempre ser firme e demonstrar os impactos (esforço, custo, prazo, etc) e nunca permitir o aumento sem que o cliente concorde com os impactos (formalmente). Comunicação é primordial.

Você deve tratar os custos (estimativas em geral) dos projetos como se este dinheiro fosse sair do seu próprio bolso.

Em tempo: Alguns pontos ajudam muito a “definir o escopo” como:
- Uma proposta comercial bem elaborada;
- Deixar claro o que será feito e o que será entregue (tudo);
- Deixar claro o que não será feito;
- Deixar claro suas responsabilidades e as do seu cliente;
- Estimar com uma técnica segura sempre que possível – recomendo APF (melhora significativamente a acertividade);
- Fazer um bom planejamento e gerenciar de verdade o projeto;

Fazendo isto sempre em seus projetos, além de reduzir considerávelmente suas dores de cabeça com o projeto você também estará atendendo boa parte da parte de engenharia do CMMI.

About the Author

Black Belt, Washington Souza tem mais de 10 anos de experiência com gestão. Participou de implantações em todos os níveis CMMI e MPS.Br A. Gosta muito de Six Sigma e gestão como um todo.

View all posts by

11 Comments on "Entendendo o gerenciamento de mudanças"

  1. Leon April 22, 2009 at 11:56 am · Reply
    Impressionante a sua facilidade para mostrar o assunto “mudança de escopo”. É exatamente isso que acontece e é a maior fonte de problemas entre usuário x TI.
    Se me permite, vou utilizar esse texto em uma reunião que tenho essa semana justamente para falar de escopo.
    Abraços
    Leon
  2. Washington Souza April 23, 2009 at 1:27 am · Reply
    Obrigado Leon, pode usar sem problemas. Só cite a fonte
    :D
  3. Marcos September 16, 2009 at 1:08 am · Reply
    Ola Washington, pretendo fazer meu TCC sobre gerenciamento de mudanças você saberia me informar alguns livros (se possivel em português) sobre o tema?
    Valeu um abraço!
  4. Daniel Wander October 5, 2009 at 2:25 pm · Reply
    Visão simples e clara sobre a gestão de mudança. E assim deve ser mantida, e é dessa mesma forma (direta e objetiva) que se deve tratar com o cliente. Sempre abrimos precedentes, colocamos o mercado inteiro em “xeque-mate” com esse cliente; pois se você não fizer haverá sempre alguém disposto a fazer. Mas isso é canibalizar e prostituir um mercado de alto risco como o de softeware.

Trackbacks for this post

  1. Linka-Me.com para os viciados em blogs
  2. 150 dicas para implementação do CMMI nível 2 - Parte I | Blog CMMI
  3. Como custo, tempo e escopo podem te ajudar (ou não)? | Blog CMMI & MPS.BR
  4. Descrição rápida das áreas de conhecimento do PMI | Blog CMMI & MPS.BR
  5. Agile e CMMI: Os opostos se atraem | Blog CMMI & MPS.BR
  6. 101 dicas para implementação do CMMI nível 2 – Parte II | Blog CMMI & MPS.BR
  7. Como facilitar as renegociações de escopo? | Blog CMMI & MPS.BR

Leave a Comment

comm comm comm