Por volta de 2003 gerenciei um projeto de um portal interno para uma grande multinacional. O esforço estimado com APF foi de aproximadamente 7.000h e estava bem justo.
Este era nosso primeiro projeto neste cliente e o mesmo estava muito apreensivo com a qualidade pois o projeto envolvia mais de 10 áreas da empresa (marketing, RH, Engenharia, Presidência, etc).
A equipe prevista era de dois analistas e seis programadores. Então decidi mudar um pouco e trocar um destes programadores por um tester. No começo várias pessoas falaram que não daria certo e que o projeto atrasaria porque “faltaria braço”.
A tester que coloquei no projeto (Fabiana Custódio) era uma pessoa muito integra e que realmente se preocupava com a imagem da empresa. Para fortalecer este processo, no lançamento do projeto divulguei a todos seu papel e que nada sairia da empresa sem o aval dela. Em apoio ao processo implementamos também a bonificação por produtividade.
O projeto foi andando e começaram a aparecer os bugs (internos sempre), a Fabiana realizava os testes, encontrava os bugs e passava para os programadores corrigirem. Em um determinado momento começou um “movimento” para tira-la do projeto pois segundo alguns “os problemas estavam aparecendo e isto não era bom”.
Tentaram de diversas formas me convencer de que ela atrapalhava o andamento do projeto, mas sempre fui firme. Do ponto de vista gerencial os resultados estavam excelentes pois o cliente não encontrava erros em nossas entregas. Comercialmente o cliente também estava muito satisfeito.
Porém, houveram dois eventos onde tive que renegociar prazo pois a Fabiana não havia aprovado a qualidade de algumas entregas – uma delas foi postergada três vezes. As negociações de prazo foram tranquilas, porém na ultima percebi que o cliente já não estava assim tão confortável. Expliquei a situação e ele aceitou.
Fizemos esta ultima entrega e no final do projeto o cliente nos parabenizou e comentou que tinha sido o primeiro projeto em anos que ele recebia com zero erros. Este projeto seguiu todo o método CMM da época passando inclusive por um appraisal.
Com a presença da tester e “carta branca” que ela tinha, os programadores tiveram mais atenção e os bugs foram diminuindo. O resultado final foi que o projeto terminou dentro do prazo, abaixo do custo e com o cliente muito satisfeito. Gerando diversos outros negócios no mesmo cliente ao longo dos anos seguintes.
Enfim, é um caso real onde podemos constatar que a qualidade não custou mais para o projeto, muito pelo contrário, ajudou a reduzir o custo e trouxe novos negócios.
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Como analisar a produtividade da equipe? | Blog CMMI & MPS.BR : 15 September 2009 as 8:19 am