O que impede a adoção do CMMI?

Written by  //  June 27, 2010  //  Avaliação  //  3 Comments

o-que-impede-a-adocao-do-cmmi

Olá pessoal, uma pergunta recorrente é “Porque o número de empresas brasileiras que possuem CMMI é tão pequeno?” Temos mais de 4.000 empresas de software e menos de 10% destas empresas passaram por uma avaliação CMMI ou MPS.Br. Onde está o fator limitador para as empresas obterem o CMMI ou MPS.Br?

Vários são os fatores que limitam as organizações a adotarem o CMMI, mas para um melhor entendimento, vamos categoriza-las:

  • Pequeno porte (até 100 funcionários ) e faturamento abaixo de R$ 50 milhões.
  • Médio porte (até 500 funcionários) e faturamento de R$ 50 a R$ 100 milhões.
  • Grande porte (acima de 500 funcionários) e faturamento acima de R$ 100 milhões.

Pequeno Porte
Principais fatores limitadores para implantação do CMMI:

  • Falta de recursos financeiros.
  • Falta de mão de obra especializada.
  • Resistência a mudanças culturais (problemas com a institucionalização).

Médio Porte
Principais fatores limitadores para implantação do CMMI:

  • Falta de mão de obra especializada.
  • Prioridade para o “manter”, pouco foco no “empreender”.
  • Gestores despreparados, muitas vezes com bagagem defasada.

Grande Porte
Principais fatores limitadores para implantação do CMMI:

  • CMMI não está alinhado às exigências dos clientes.
  • Gestores despreparados, muitas vezes com bagagem defasada.?-
  • Divergência com os interesses dos acionistas.
  • Resistência a mudanças culturais (problemas com a institucionalização).

A falta de recursos financeiros com certeza está entre os principais limitadores no momento da adoção do CMMI por organizações de pequeno e médio. O investimento necessário para um programa de melhoria de processos CMMI já variou entre R$ 150 mil e R$ 2,5 milhões (dependendo do nível). Ressalto que a empresa que investiu R$ 150 mil no programa já tinha seus processos maduros e alinhados às boas práticas, onde o investimento foi direcionado para adaptações, consultorie a avaliações oficiais.

Muitas das empresas de pequeno porte ainda não se tornaram auto-sustentáveis, dessa forma estas canalizam seus investimentos em prioridades, objetivando na maioria das vezes prioridades como a manutenção das contas já existentes, aumento de seu market share em seu segmento de atuação, etc. Ou seja, primeiro manter a casa em ordem, depois construir o segundo andar.

Para as organizações de médio porte, boa parte já estão estruturadas e são auto-sustentáveis, mas existem os casos das empresas que tem seus processos “artesanais”, ou caóticos (conforme cita a literatura do CMMI), dessa forma o investimento demandado é mais alto, como foi o caso da empresa que investiu R$ 2,5 milhões no programa. Uma alternativa mais próxima da realidade das empresas com problemas de falta de recurso financeiros é o MPS.BR, que é baseado no CMMI (e totalmente aderente) e que tem um custos inferiores além de vez ou outra contar com incentivos do governo brasileiro. Outra alternativa é a formação de consórcios entre empresas, como já foi feito em alguns estados pela Softex com o programa “Rumo ao CMM”.

A falta de mão de obra especializada atinge com mais intensidade as organizações de grande porte. Para o programa do CMMI é necessário a organização compor um grupo denominado EPG (antigamente SEPG – Software Engineering Process Group), que é o grupo responsável pela implementação do CMMI internamente.

Os recursos envolvidos no grupo devem ter curso oficial do SEI, conhecimento dos processos internos da empresa, e conhecimento das praticas do CMMI. A maioria das organizações brasileiras ainda persistem em idolatrar os melhores técnicos, que possuem conhecimento sobre o legado, etc. Erro grave; os recursos que forem compor o EPG devem ter perfil para engenharia de software, gestão de projetos, processos, visão holística sobre processos de TI e administrativos, bom relacionamento e perfil de facilitadores. Outra questão pertinente e que faz-se necessária é a contratação de consultoria especializada para apoiar o EPG, e muitas das vezes a isso é dada pouca importância por parte das organizações.

Resistência a mudanças culturais é sem dúvida o maior limitador. No processo de implantação do CMMI, existe a fase de “institucionalização”, que é fazer os processos rodarem, metaforicamente falando, colocar o CMMI em produção.

Existem várias empresas que investiram em consultoria especializada, dedicaram recursos ao projeto e simplesmente colocaram os processos na gaveta, em função de não terem conseguido instituicionalizá-los.

Sem o apoio de um departamento interno ou consultoria em RH, torna-se traumático mudar a forma que a organização, composta e movida por seus recursos humanos, trabalha no dia a dia. O sponsor é fundamental neste ponto. Outro ponto de questionamento, e que é realidade em muitas das empresas de software brasileiras, é a falta de apoio por parte da alta diretoria, que muitas das vezes se apega em extensos discursos, mas que fixa uma grande distância entre planejamento e a execução, deixando a idéia da conquista do CMMI como utopia na mente de seus funcionários.

Prioridade para o “manter”, pouco foco no “empreender”. Devido à cultura de TI brasileira, e a cultura brasileira em geral, as organizações muitas das vezes preferem deixar as coisas como estão, inibindo a visão em perspectiva e o empreendedorismo. É claro que, em função da cultura brasileira, sabemos que as coisas demoram a sair da teoria para prática em nosso país, mas vale lembrar que o CMM foi criado em 1994, e a maioria de nós só ouviu falar dele por volta do ano 2000 (na melhor das hipóteses).

Gestores despreparados, muitas vezes com bagagem defasada. Deixo claro que essa não é uma opinião somente minha, é compartilhada por vários estudiosos da engenharia de software, HeadHunters, e já foi citada na mídia especializada. Por um lado é natural, em função do dinamismo da TI, e também em função de muitas das vezes o gestor se espelhar na cultura da organização (principalmente os que permanecem anos trabalhando na mesma organização). Vários dos gestores foram excelentes técnicos, mas imaginando que se preparam quanto à Gestão, muitos deles ainda enxergam os processos de TI como nos tempos antigos, não estando atualizados em relação à ciência da engenharia de software, metodologias, técnicas e boas práticas.

Divergência com os interesses dos acionistas. Fazer mais com menos, esse é o lema de muitos empresários e acionistas. Alguns destes vêem o investimento em qualidade de software como custo, e não como investimento, esquecendo que o valor investido em médio/longo prazo irá se multiplicar, alem de exigirem no caso de investirem um retorno para o dia seguinte. Em função disso, vários engenheiros e gestores da área de software sofrem para negociar com os que seriam os principais stakeholders de um projeto de CMMI.

[Adaptado do artigo de O que impede a adoção do CMMI?]

About the Author

Black Belt, Washington Souza tem mais de 10 anos de experiência com gestão. Participou de implantações em todos os níveis CMMI e MPS.Br A. Gosta muito de Six Sigma e gestão como um todo.

View all posts by

3 Comments on "O que impede a adoção do CMMI?"

  1. Laryukov August 21, 2010 at 3:09 am · Reply
    De onde sairam estes valore para o CMMI? Existe alguma coisa documentada? Uma fonte de onde este dado foi retirado? Estes e outros números aparecem por aí pela internet, mas nunca tem uma fonte ou valores médios ou alguma coisa realmente bem explicada ao contrário do MPS.BR que tem os valores documentados no próprio site a SOFTEX.
    • Washington Souza August 23, 2010 at 9:23 am · Reply
      Realmente há várias fontes até porque o CMMI abrange o mundo todo. O valor médio praticado aqui é diferente do que é praticado na Índia, EUA e outros países. Os preços de consultoria e avaliação mudam. Para ficar mais simples, converte-se tudo em dolar e chega-se a média. A Softex realmente faz um excelente trabalho, assim como o SEI, mas aqui no Brasil o máximo de diferença que temos é nos estados. Com a SEI a diferença são países.
  2. Laryukov August 30, 2010 at 7:10 am · Reply
    Mas converte-se que valores em dólares? pois não se encontram estes valores, não importa, país, estado nem nada.

Leave a Comment

comm comm comm