Como avaliar se meus fornecedores seguem CMMI/MPS.Br? - Blog CMMI & MPS.Br

Como avaliar se meus fornecedores seguem CMMI/MPS.Br?

By on April 29, 2010

Olá, tenho recebido muitas mensagens perguntando como avaliar fornecedores que “usam CMMI”. Recebi e-mails com perguntas como:

“… Selecionamos três fornecedores que possuem certificação CMMI… Gostaria de algumas dicas do que podemos fazer para garantir que eles usam o CMMI…”
“… Como posso verificar que meu fornecedor segue o CMMI?”
“… o que meus fornecedores precisam fazer para estarem aderentes ao CMMI…”

Foram várias mensagens, mas a pergunta é praticamente a mesma: “Como avalio meus fornecedores CMMI/MPS.Br?”

Antes de mais nada, temos que lembrar que modelos como CMMI e MPS.Br nada mais são do que um conjunto de boas práticas e recomendações em gestão e engenharia de software. Um nível é atribuído quando uma empresa mostra (de forma independente e oficial) que executa determinadas práticas.

Atendendo aos diversos pedidos, montamos uma lista com 10 coisas que você (como cliente) pode analisar e verificar em seus fornecedores.

  • Empresas CMMI 2 praticam os 7 primeiros itens
  • Empresas CMMI 3 praticam os 9 primeiros itens
  • Empresas CMMI 4 ou 5 praticam todos os itens

10 dicas do que verificar em seus fornecedores sobre CMMI e MPS.Br

1. Você recebe a equipe “que paga”?

Segundo os modelos, cada profissional deve estar apto para executar suas atividades. Entende-se por “apto” que ele possui todo conhecimento e capacitação necessários (obvio, não?). Porém, em muitas empresas isso não acontece.

Você tem certeza de que aqueles cinco programadores java “plenos” são mesmo plenos (e Java)?

Outra coisa que atrapalha muito nos projetos é a rotatividade, pois é certo que seu fornecedor não vai ter alguém na “prateleira” com o mesmo perfil e capacitação que a pessoa que saiu. Se seu projeto troca de analista toda hora, seguramente você terá problemas em breve. Isto atrapalha tanto você quanto seu fornecedor, mas, normalmente ele não vê isso como problema.

A regra é simples, se você pagou por x plenos, y seniores e z juniores, o fornecedor deve te disponibilizar estes profissionais.

2. Seu fornecedor planeja os projetos?

Hoje fala-se muito em planejamento e PMI, mas, quando foi a ultima vez que você recebeu um plano de projetos de seu fornecedor (CMMI)? Seguindo os modelos TUDO deve ser planejado, logo, ele tem que ter esse plano.

E o plano de projetos não é nada simplista, é um conjunto de artefatos bem elaborado que definem tudo que será feito no projeto, quando, por quem e outras coisas. Dependendo do nível de maturidade, o plano deve ter inclusive cenários “e-se” (what-if) para tomada de ações mais ágil.

Então, se seu fornecedor é “certificado” solicite (e verifique) o plano do projeto.

3. O fornecedor realiza eventos de acompanhamento (monitoramento e controle) do projeto?

Veja mais sobre a diferença entre acompanhar e gerenciar aqui. Os modelos pregam que o projeto seja monitorado constantemente durante todo seu ciclo de vida, ou seja, seu fornecedor deve ter eventos de acompanhamento interno e externo (com você). Nestes eventos externos, o fornecedor apresenta o desempenho atual do projeto contra o previsto (Considere o uso de EVM) e são definidos planos de ação para corrigir eventuais desvios. Tudo deve ser monitorado e é esse o momento para colocar o projeto na linha.

Uma coisa importante é atacar os problemas, pois é isso que importa. Evite situações onde fica-se procurando um culpado, pois isso não resolve o real problema. Se for mesmo preciso, deixe isso para depois. Foque.

Os eventos de acompanhamento devem ser documentados e divulgados a todos interessados. Uma boa prática é começar uma reunião de acompanhamento com a ata da última.

4. Seu fornecedor segue o processo que ele falou que ia seguir?

Tanto empresas com CMMI ou MPS.Br tem os chamados “processo padrão” (PDPs), que nada mais é do que “como o fornecedor vai te atender e o que ele faz”. Normalmente, durante a pré-venda os fornecedores fazem diversas apresentações demonstrando como vão te atender. Este é o melhor momento para você conhecer os PDPs.

Uma boa prática é sempre colocar as apresentações feitas pelo fornecedor no contrato e solicitar o processo detalhado quando fechar o contrato com um fornecedor.

Outra prática muito boa é colocar sua área de controle de qualidade de processo em contato com a do seu fornecedor e fazer auditorias esporádicas.

Parece bobeira, mas os PDPs vão definir “as regras do jogo”, e … o combinado não sai caro.

5. Qual unidade te atende?

Aqui temos um ponto interessante. Um nível de maturidade normalmente é atríbuido à uma unidade organizacional, ou seja, um endereço. As empresas normalmente divulgam: “Empresa X é CMMI 3”, e isso acaba induzindo os clientes ao erro.

Porém, temos que lembrar que a maioria dessas empresas dissemina seus processos pela organização mas, não “avalia” por causa do custo.

Então, uma boa prática é verificar antes de fazer a contratação. Veja alguns projetos, como eles foram feitos e converse com as pessoas. Verifique se a unidade faz aquilo que ela fala que faz.

6. O método de estimativa é claro?

Para chegarmos à estimativa passamos por algumas PAs. O método de estimativa de seu fornecedor fala muito sobre ele. Quanto mais transparente, melhor. Existem diversos métodos como APF, UCP, COCOMO, proprietários e outros, mas o que importa é que todos conheçam e saibam estimar no método selecionado.

Vocês já devem saber que gosto muito do método APF (aqui, aqui e aqui) pois acredito que ele é bem transparente e foca na visão do usuário. Também o acho muito bom em eventos de mudanças de escopo, pois fica fácil ambos entenderem e chegarem a um consenso.

É bom sempre validar as estimativas de seus fornecedores, e, somente inicie um projeto depois de “fechar” estas estimativas.

7. O que você vai receber durante o projeto?

Uma coisa importante, você NÃO deve receber apenas o código. Ele é uma parte importantíssima do projeto, mas é uma parte. Um dia alguém terá que dar manutenção neste sistema e a qualidade da sua documentação é o que vai definir o custo dessa manutenção.

Recomendo sempre pelo menos estes artefatos:

  • Plano de projeto
  • Documentos de estimativa
  • Especificações funcionais
  • Especificações técnicas
  • Protótipos
  • Documento de arquitetura (quando necessário)
  • Planos e casos de testes (muito importante para manutenções)
  • Relatórios de acompanhamento
  • Plano de validação
  • Manual de instalação

Outro ponto importante é que estes produtos devem ser entregues durante o projeto e não apenas no final (pois é muito provável que você não os receba).

8. O gerenciamento de riscos é realizado?

Gerenciamento de riscos é importantíssmo em qualquer projeto. Durante um projeto você passa o tempo todo gerenciando riscos.

É importante lembrar que o gerenciamento de riscos é algo que o fornecedor terá que fazer junto com o cliente, pois há riscos que devem ser tratados por ambos.

É importante monitorar os riscos em todos os eventos de acompanhamento e, sempre que possível tentar mitigar os riscos e/ou ter ações de contingência.

Verifique se seu fornecedor gerencia riscos nas reuniões de acompanhamento, pois isso é uma PA do CMMI 3.

9. Você recebe evidências das revisões técnicas?

Revisões técnicas devem ser realizadas sempre nos principais produtos. Seria muito bom fazer revisões técnicas em tudo, mas… na maioria dos casos isto não é possível.
As revisões técnicas existem para encontrar problemas internamente antes de chegarem a você cliente, e acredite, funciona.

Muita gente acredita que revisão técnica se aplica apenas ao código, mas não é bem assim, deve-se fazer estas revisões em todo tipo de produto (mesmo que por amostragem).

Uma dica aqui é: Se seu fornecedor esta tendo muito problema de qualidade, provavelmente seja a hora de aumentar a quantidade ou qualidade das revisões técnicas.

Mas, é uma boa prática analisar esporadicamente os resultados de algumas revisões técnicas de seus fornecedores.
E por ultimo, revisão técnica é uma PA.

10. Você conhece os baselines de seu fornecedor?

[ad]Os baselines mostram a capacidade de seu fornecedor em diverso indicadores. Você pode, por exemplo, saber que a produtividade do seu fornecedor X varia entre 12h á 19h. E… a partir do nível 4 (MPS.Br B), o seu fornecedor sabe perfeitamente o que influencia ele fazer em 12h ou á 19h. Esta informação é valiosíssima, visto que te ajudará a reduzir os custos, resolver possíveis problemas em seu processo e atingir melhores resultados.

Os fatores podem mudar de fornecedor para fornecedor, mas é bom você disseminar essa cultura, pois isso ajudará a todos. Considere ler um pouco sobre Six Sigma.

A última dica é solicitar pelo menos os baselines de produtividade, prazo e qualidade. Solicite também quais os fatores influenciam em cada um e faça um estudo no que você e seu fornecedor precisam melhorar e quais os melhores cenários para os projetos.

É importante lembrar que CMMI e MPS.Br não devem ser utilizados apenas para pontuar em licitações. Os clientes buscam segurança quando selecionam um fornecedor “certificado”. Os modelos foram criados para dar segurança, mas somente atingirão este objetivo com os clientes exigindo isso de seus fornecedores.

Para se aprofundar mais sobre este assunto, leia sobre CMMI-ACQ, CMMI-SVC e a PA SAM do CMMI-DEV

About Washington Souza

Black Belt, Washington Souza tem mais de 10 anos de experiência com gestão. Participou de implantações em todos os níveis CMMI e MPS.Br A. Gosta muito de Six Sigma e gestão como um todo.

3 Comments

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