CMMI Nível 4: Entendendo a estabilidade de processos - Blog CMMI & MPS.Br

CMMI Nível 4: Entendendo a estabilidade de processos

By on November 24, 2008

Semana passada recebi um e-mail perguntando “O que é a tal da estabilidade de um processo”
Para ajudar, vamos fazer uma analogia com um processo corriqueiro que todos fazemos todos os dias: “Ir trabalhar”
Vamos colocar o seguinte cenário:
– Moro (A) em Campinas e trabalho (B) na mesma cidade
– Vou de carro
– Meu horário de entrada é as 8:00h

Faço o seguinte percurso:
Situação 1: Percurso padrão

Normalmente, levo 30 minutos de casa até o trabalho. Se o transito estiver bom, consigo chegar em 27 minutos e quando esta ruim por volta de 33 minutos. Mas em média levo 30 minutos. Tenho certeza destes tempos, pois já fiz isto mais de 100 vezes. Desta forma, saio de casa 35 minutos antes, pois assim tenho certeza que chegarei a tempo.

Este processo (ir trabalhar) está estável, pois sei o desempenho dele (30 m) e sua variação natural (27m – 33m). Esta é a voz do processo, ou seja, o que o processo pode me oferecer. Como o que o processo me oferece atende minha necessidade que é chegar no trabalho em, no máximo, 35 minutos (voz do cliente, ou seja, o que o cliente – no caso eu mesmo – espera do processo), podemos dizer que este processo, além de estável, é capaz

Todavia, ultimamente tenho levado mais que 33 minutos (máxima variação para meu processo) para chegar ao trabalho e isso tem acontecido freqüentemente. Por causa disso, estou chegando atrasado alguns dias na empresa, o que não esta sendo bom.

Neste momento, o processo deixou de ser estável e não atende mais minhas necessidades, é preciso fazer algo.
Investigo os motivos para esta perda de estabilidade e verifico que isso ocorreu pois abriu-se uma escola infantil no meu percurso e o horário que passo é o mesmo horário que os pais deixam seus filhos na escola.

Tenho duas opções:
– Aceitar que meu processo foi modificado e que não é mais capaz, ou seja, não atende mais minhas necessidades, e alterar tais necessidades para que ele volte a ser tornar capaz, ou seja, passar a sair mais cedo; ou
– Fazer um projeto piloto (tentar um outro caminho)

Escolho a segunda opção pois não quero levar mais tempo para chegar ao trabalho
Situação 2: Análise e melhoria

Neste projeto piloto, experimento alguns percursos diferentes e após duas semanas escolho um que aparentemente leva o mesmo tempo que o que eu fazia (30m)
Depois de uma semana (5 amostragens) verifico que a média é de 30m com variações entre 28m e 32m. Isto atende minhas necessidades.
Com isso, defino que este é meu processo padrão a partir de agora (e garanto o mesmo desempenho que o anterior).

Passado algum tempo decido por melhorar o desempenho deste processo, minha meta é reduzir meu tempo em 10%.
Novamente, faço alguns testes piloto e escolho o percurso abaixo.

Situação 3: Melhoria
Aparentemente, apesar de maior ele leva menos tempo pois passo por muitas vias rápidas.
Faço os testes e tenho os seguintes resultados: Média de 28m com variações entre 24m e 30m.

Coleto mais amostragens (vou mais vezes neste percurso) e verifico que este é o desempenho natural dele. Com isso, defino que este é o meu processo a partir de agora.

Esta situação ilustra o que é desempenho de processo. Repito o mesmo processo diversas vezes e com isso ele conheço seu desempenho e posso tomar ações para corrigir e/ou melhorar. Hoje sei que saindo com 30m de casa, conseguirei chegar ao trabalho a tempo (tenho um processo padrão, estável e capaz).
Eu não saberia disto se a cada dia fizesse um percurso diferente, fazendo isto, eu não teria um processos padrão, teria “n” processos, e quem tem muitos, não tem nenhum.

Este assunto é extremamente importante para o CMMI, tão importante que o nível 4 inteiro trata disto, e o nível 5 complementa o mesmo assunto. Além disso, é preciso muita base histórica.

About Washington Souza

Black Belt, Washington Souza tem mais de 10 anos de experiência com gestão. Participou de implantações em todos os níveis CMMI e MPS.Br A. Gosta muito de Six Sigma e gestão como um todo.

One Comment

  1. Sergio Ramiro

    November 25, 2019 at 5:51 pm

    Adorei o exemplo, bem mais didático do que qualquer livro. Muito obrigado. Ficou claríssimo.

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